sábado, 6 de julho de 2013

Entrevista com Nilmara Alves


Olá!! Aqui estou eu! De volta ao meu blog :)

Depois de tanto tempo, tanta correria da faculdade, do estágio, da Escola da Família e de tudo, eu volto escrever na minha página.

Começo com uma entrevista pingue pongue que fiz com a técnica da Academia Desportiva Manthiqueira, de Guaratinguetá-SP: Nilmara Alves. 

Ela é um espetáculo de pessoa/profissional.

Nilmara Alves:


Segunda mulher a ser treinadora de um time de futebol profissional no Brasil e natural de Aparecida-SP, Nilmara Alves ganha destaque na região do Vale do Paraíba e em todo o país. Após ser jogadora de futebol, preparadora física e representar diversas cidades em campeonatos regionais, Nilmara treina a Academia Desportiva Manthiqueira, de Guaratinguetá-SP.

Nilmara Alves
Corintiana e sempre apaixonada pelo esporte, principalmente o futebol, Nilmara é fã de Neymar e fala sobre a sua atuação na Copa das Confederações: "Ele precisa conhecer experiências diferentes e estilo de jogo diferente para evoluir mais ainda taticamente porque tecnicamente é sem comentários", diz.

Ela decidiu ingressar no ensino superior e se formou em Educação Física. Em 2004, a atleta atuou como treinadora das categorias de base sub-15 e sub-17 do clube Mathiqueira, que foi filiada na Federação no ano seguinte. Seis anos depois, a aparecidense passou a ser preparadora física do time. Modesta, Nilmara diz que não sabia da importância que teria para o esporte: "Já sabia da filosofia de trabalho que era diferenciada e tinha um pouco a ver comigo e não tinha noção da importância que seria para o meio do futebol".

Após anos de experiência no clube Manthiqueira com as categorias de base e representando as cidades do Vale no Campeonato Paulista, nos Jogos Regionais e nos Jogos Abertos, Nilmara Alves recebeu, em 2012, o convite do presidente da academia Desportiva Manthiqueira, Dado de Oliveira, para ser treinadora oficial do clube.

Atualmente, Nilmara também trabalha na secretaria de Esportes da cidade de Aparecida-SP e é treinadora do time feminino de futebol da cidade. Além disso, ela é voluntária no treinamento de jovens da categoria sub-20. Um trabalho importante para esses jovens, pois, além de afastá-los do mundo das drogas, permite o convívio com uma profissional, o que aproxima mais o sonho da realidade. "O que mais me motiva é ver que esses jovens, mesmo com todos os problemas sociais, conseguem arrumar motivos para treinar e com muita vontade e determinação", afirma a atleta.


Repórter-

Você dedicou toda a sua juventude ao esporte, principalmente ao futebol. Qual foi o momento da sua vida em que você percebeu que deveria atuar nessa área de forma profissional?

Nilmara -

Sempre joguei futebol, sou uma amante de esporte e principalmente o futebol desde pequena. Em casa tinha um terraço e nos finais de semana meus primos iam jogar bola lá, e eu ia pra ficar assistindo eles jogar. Sempre faltava uma pessoa e eu acabava jogando e foi onde decidi jogar bola e não parei mais. Estou jogando até hoje!

Decidi trabalhar como profissional quando tinha uma turma de amigas que moravam em Aparecida e adoravam jogar futebol, mas na cidade não tinha ninguém que as apoiassem. Eu jogava para uma cidade vizinha, já estava cursando a faculdade e foi quando decidi ajudar elas a participar dos Jogos Regionais. A minha vontade era jogar essa competição representando minha cidade, e se conseguisse ajudar elas a participarem, poderia incentivar alguém a tomar conta e eu pudesse jogar pela minha cidade mais pra frente. Eu já estava inscrita para jogar para uma outra cidade e não podia jogar por Aparecida e consegui convencer o Departamento de Esporte e inscrever as meninas para os jogos. Conversei com um rapaz e ele aceitou ir como treinador, só que de ultima hora ele não pode ir, pois não foi liberado do serviço. Aí tinha um grande problema: ou eu ia como treinadora e não jogava ou eu ia jogar e as meninas iam ficar sem uma pessoa pra comandar. Foi onde tive que tomar a decisão mais complicada e resolvi ir como treinadora delas. Foi muito legal a experiência e resolvi continuar.

Repórter - 

Ao assumir tamanha responsabilidade com o Clube Mathiqueira e com o Brasil, você tinha noção da sua importância também no meio social?

Nilmara -

Quando resolvi assumir o comando do Manthiqueira foi principalmente para ajudar o time e por já conhecer o trabalho do clube. Já sabia da filosofia de trabalho que era diferenciada e tinha um pouco a ver comigo e não tinha noção da importância que seria para o meio do futebol. Com o passar do tempo fui tendo a noção da importância que tinha no meio do futebol e para as mulheres.



Repórter -

Poucas mulheres trabalham com o futebol e ainda há muito preconceito em relação a isso. Comandar um time masculino é um desafio?

Nilmara -

Com certeza é um desafio enorme, por não ser uma coisa muito comum no meio do futebol, onde muitos dizem que é um mundo masculino. O preconceito ainda existe mas tenho confiança que vai acabar se mais mulheres resolverem se aventurar nesse meio.



Repórter -

Além de treinadora profissional, você também treina, de forma voluntária, os times das categorias de base de Aparecida. Qual é o perfil desses jovens e o que te motiva a realizar esse trabalho?

Nilmara -

Sim, trabalho como professora em trabalho social na cidade de Aparecida com crianças de bairros mais carentes. São jovens carentes com pouco ensino e de classe baixa. O que mais me motiva é ver que esses jovens, mesmo com todos os problemas sociais, conseguem arrumar motivos para treinar e com muita vontade e determinação.



Repórter - 

Como você avalia os primeiros técnicos no início da sua carreira? Agora que você está no lugar deles, qual a mensagem que você deixa aos jovens que se dedicam ao esporte?

Nilmara -

Já tive vários tipos de técnicos. Todos serviram de lição pra mim. O que eu achava que seria bom, guardava, e o que achava que não era produtivo, jogava fora, mas deixava na lembrança para saber que não poderia cometer esses equívocos mais na frente.



Repórter -

Você se espelhou nos seus treinadores?

Nilmara -

Não digo que espelhei, porque cada pessoa tem sua identidade e seu modo de lidar com os profissionais, mas algumas coisas tirei como lição para melhorar meu conhecimento, isso sem dúvida.



Repórter -

Como é a Nilmara longe dos gramados?

Nilmara -

Sou uma pessoa tranquila, que gosta de conversar com amigos, dar risadas, não sou muito de sair, ir em baladas. Prefiro coisas mais tranquilas, como: cinema, barzinho com as amigas. Gosto muito de estar com a família e de viajar, e claro, jogar bola (risos). Quando não estou trabalhando e não estou jogando, estou assistindo jogos na TV, gosto de assistir todos os tipos de esporte.

(Quando a Nilmara nos deu a entrevista, ela estava afastada dos treinos por motivos de saúde)



Repórter -

O seu pai sempre a apoiou a seguir esse caminho. Já a sua mãe, no início, ficava preocupada em você se formar em outra profissão. Qual é a importância da família para você em toda a sua trajetória e construção de valores?

Nilmara -

Muito importante. Tudo que sou e tenho é minha família que me ajudou a construir. Pessoas honestas e do bem, que sempre me mostraram o caminho certo a seguir. Mesmo eu optando pelo futebol, eles aceitaram e me apoiaram. No começo, minha mãe não aceitava muito, mais em nenhum momento virou as costas pra mim.



Repórter - 

Corintiana e admiradora do jogo de Neymar, qual a sua opinião sobre o atleta na Copa das Confederações e com a sua ida ao Barcelona?

Nilmara -

O Neymar é um craque e o craque tem facilidade de se adaptar em qualquer lugar. Ele vai se dar muito bem no Barcelona e para o Brasil vai ser muito bom. Ele precisa conhecer experiências diferentes e estilo de jogo diferente para evoluir mais ainda taticamente porque tecnicamente é sem comentários.

Na Copa das Confederações ele vai jogar bem porque esta motivado e feliz, um craque motivado e feliz joga até com os olhos fechados (risos).


                                                                                                            Ana Maria Reis

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