sábado, 13 de julho de 2013

História de um Repórter - 'Criança Morta', de Cândido Portinari.

Essa é uma narrativa que eu escrevi para um trabalho da faculdade. 
Tínhamos que desenvolver uma história em cima de uma obra de arte eu escolhi esta, pois tem um pouco a ver com a minha vida.

Obra: Criança Morta
Artista: Cândido Portinari
Ano: 1944
Estilo: Expressionismo 

Criança Morta, 1944, Cândido Portinari

Sobre a obra: 'Criança Morta,' de Cândido Portinari, faz parte de uma série de pinturas sobre os retirantes nordestinos, ou seja, o drama do povo brasileiro que sai de sua terra natal em busca de melhores condições de vida. É uma obra dramática e pode ser observada pela expressão das personagens, que lutam para sobreviver. Esse quadro causou muita repercussão na época (1944), pois a sociedade não estava preparada para ver tamanha miséria, retratada pelos pincéis de Portinari. Inclusive, alguns textos falam que o autor foi perseguido pelo governo por causa dessa obra. É claro! Que governo não gosta que divulguem a realidade.


Sobre o autor: Cândido Portinari é um dos pintores brasileiros mais famosos do mundo. Ele nasceu em 1903, na cidade de Brodowski (parece cidade estrangeira, mas não é), interior de São Paulo. Estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro e terminou seus estudos na Itália. Além de produzir obras lindas, ele retratou questões sociais do Brasil, que é o caso da "Criança Morta", e por isso,  ficou muito conhecido.

História de um repórter

"Estar numa terra seca, quente e quase escassa de alimentação é, às vezes, insuportável. Às vezes não, sempre insuportável. Como pode passar no noticiário que o Brasil está caminhando para a erradicação da pobreza, sendo que aqui no sertão de Paraú, nós não temos nem água para cozinhar o arroz que nossos filhos precisam comer antes de irem à escola". 

Essa é a versão de Dona Sebastiana, uma nordestina guerreira, que luta para amenizar o sofrimento de seus três filhos: Jacó (8), Tomé (6) e Joana (12). Ela mora em Paraú, sertão do Rio Grande do Norte. Uma cidade que quase nunca chove, quase nunca tem visitas, tampouco governo pra ajudar. Porém, a notícia que se tem na televisão, o único passatempo para as 129 pessoas que moram na cidade, é de que o Exmo. Sr presidente está distribuindo dinheiro para o povo de todo o Brasil migrar para a classe B. Todo o Brasil. 

Em Paraú não tem Banco Central, nem banco de praça. Não tem Pão de Açúcar, a não ser o da padaria do Zequinha, que fica na esquina da casa de Dona Sebastiana. Em Paraú tem seca, tem fome, tem miséria. Mas esse não é o único problema da família, porque Joana recebeu uma herança de seu avô paterno. Um terreno com plantações de milho, arroz e batata doce é o que sustenta a família composta por seis pessoas. Além da chefe de família, do marido Diabético e dos três filhos, a família Silva tem a sorte da presença da mãe de Dona Sebastiana, Francisca, que é a única pessoa que ainda tem esperanças de uma vida menos sofrida. 

Certa noite, Jacó perguntou ao seu pai se podia jogar bola com os amigos da escola. Seu pai permitiu, porque o caminhão pipa esteve no sertão e deixou alguns litros de água a mais para passarem a semana. Assim, Jacó não corria o risco de desidratar. Não é todo dia que tem água em Paraú. Essa terça feira foi de muita alegria, tudo o que os moradores da cidade queriam fazer nos últimos três meses, ele puderam fazer. Lavaram roupas, cozinharam, regaram as plantações, tomaram um banho mais longo. Único dia em que tinha água em Paraú e que o pai de Jacó o autorizou que fosse jogar bola, o menino chutou a bola murcha como se nunca mais fosse chutá-la novamente.  

Enquanto isso, Joana estava em casa brincado com o sabugo que acabara de tirar da plantação. Esse sabugo representa uma boneca que o resto do mundo possui, a boneca Barbie. Só que esta estava no padrão Paraúano: magérrima, cabelo crespo e um pouco de sujeira em cada parte do corpo. A menina sempre via na televisão uma piscina cheia, que sonhava em entrar nela um dia. O governador do Rio Grande do Norte disse que em 2012 todas as escolas deveriam ter aula de natação, mas a menina sabia que isso era impossível em Paraú, pois a escola que estudava era no quintal de uma professora aposentada e generosa.  

Dona Francisca adoece

A cada reportagem assistida, uma utopia a mais na vida de cada membro da família Silva e de cada cidadão na comunidade. Cidadão sim, porque todos lá votam. Votam porque são obrigados, mas ninguém acredita nas promessas da TV, nem da ‘Voz do Brasil’. Ninguém aparece lá para implorar votos porque a cidade é muito distante de tudo, ninguém faz questão desses 129 registros. Mal sabem eles, que quem colocou Fernando Henrique Cardoso no poder em 1995 foram os paraúenses. 

Politica e políticos a parte, Jacó continua jogando bola e Joana brincando com sua boneca-milho. 

Depois de três horas de jogo, Jacó já estava exausto e correu para casa para tomar água e tomar um banho. Ele tinha que aproveitar esse dia, pois ninguém sabia quando ia ser a próxima vez. Tomé, irmão mais novo, tem um gênio forte. Critica e questiona tudo que está ao seu redor. Isso preocupava a família, porque ele não tinha idade pra dar tanto trabalho assim. Mas tem o lado positivo. Tudo o que saía de sua boca fazia seus pais refletirem. Todos acreditavam que Tomé era o futuro da família, porque disseram na televisão que as pessoas que questionam têm mais chances de superar as barreiras da vida. A esperança de Dona Francisca é que ele consiga passar no tão falado vestibular, faça medicina e leve todos para São Paulo para trabalhar e ter uma vida mais confortável. 

Certo dia, duas semanas após a chegada do caminhão pipa, a família saiu em busca de uma pessoa para cuidar da mãe de Dona Sebastiana, que estava adoecendo. Ninguém sabia qual era a doença que gerava aqueles sintomas de febre, desmaios e dores, nem mesmo a vizinha que trabalhava com plantas medicinais - a única pessoa que sabia ajudar as pessoas da comunidade. 

Depois de uma hora andando pelas ruas secas de Paraú, o pai lembrou-se de um amigo que havia lhe apresentado um remédio para cicatrizar feridas e foi até ele pedir ajuda para a sogra. Seu Francisco realmente conhecia do assunto e podia dizer qual era a solução para aqueles problemas. 15 minutos de conversa foram suficientes. A mãe de Dona Sebastiana comeu algumas folhas durante três dias e logo depois já estava melhor. Aqueles sintomas tinham sumido por apenas uma semana. 

Tomé, sempre preocupado com o que estava acontecendo, perguntou ao seu pai se a avó ia morrer. Seu Tadeu não soube responder com precisão, mas foi compreensivo com o filho e disse: Não sei te responder. Se a sua avó for dessa para uma melhor, nós vamos rezar muito para ela e, com certeza, junto com o papai do céu é muito melhor. Era muito difícil falar daquele assunto, pois a doença da avó Francisca tinha desestabilizado toda a família, mas a comunidade estava empenhada em ajuda-la. 
Tudo já era complicado em Paraú, mas complicou ainda mais. 

A água diminui, a população diminui

Já fazia um mês que a região estava sem abastecimento de água. O período de estiagem chegou e com ele, o desespero de toda a comunidade. Crianças e idosos com problemas respiratórios, gados morrendo, plantações sem nutriente algum. Tudo o que a família Silva queria era um pouco de chuva e um pouco de tranquilidade. Queria, também, uma oportunidade de migrar daquela cidade para outro Estado. Cogitavam São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou, pelo menos, Natal. 

Dois meses se passaram. Era 28 de Agosto e o único rio da cidade estava com apenas 20 milímetros de profundidade. A população já havia sido reduzida a 110 pessoas. Ninguém saía na rua, todos dormiam o maior tempo possível para driblar a fome.

Antes de amanhecer, um barulho atormentou o sono da família Silva. Todos acordaram com o barulho de motor velho. O medo não deixou que os pais saíssem na rua para saber o que estava acontecendo, mas o pentelho Tomé fez isso por eles. Escondido da família, o filho mais novo pulou a janela e foi para a rua saber de onde vinha o barulho. Quando chegou perto da cerca, viu que era um caminhão baú e várias vozes surgiam de dentro do veículo.

A curiosidade falou mais alto e o menino, de apenas seis anos, chegou mais perto do caminhão, que estava parado em frente a sua casa. Dezenas de pessoas estavam aglomeradas, entre elas, animais, móveis e alguns alimentos.  Tomé viu aquilo e lembrou-se de uma reportagem que viu na televisão, onde nordestinos saíam em um caminhão de sua comunidade e buscavam melhores oportunidades em outros lugares do país. Ele não sabia, mas o nome desse caminhão é pau-de-arara. Essa era uma grande chance. Não pensou duas vezes e com sua garganta seca, saiu gritando pela rua até chegar à sua casa: Mãe, pai, vó, vamos embora! Estão nos esperando. 

Todos levantaram apavorados e foram verificar o que estava acontecendo. Depois de dar uma bronca no menino, Tadeu viu que era verdade a história do caminhão e logo chamou Dona Sebastiana. Os olhos brilharam e algumas gotas de lágrimas escorreram pelo rosto do casal. Realmente, era uma grande oportunidade. Ninguém sabia quem havia mandado o pau-de-arara à Paraú, mas todos que quisessem, podiam entrar. Era gratuito. O destino era a grande cidade de São Paulo.  

Juntaram todo o alimento que guardavam em um saco e correram para não perder o lugar. Dona Sebastiana, Francisca, Tadeu, Tomé, Joana e Jacó estavam eufóricos, todos ansiosos e com o coração apertado, pois estavam prestes a mudar de vida. Infelizmente, no caminhão não cabiam todas as pessoas da comunidade e o horário de passagem era proposital. A família Silva foi a última a entrar no veículo.  

A hora da despedida

A coisa mais difícil para eles foi olhar pra trás e ver as outras famílias implorando por um lugar. Ninguém sabia se haveria transporte outro dia, mas era preciso partir. As esperanças iam surgindo de quem conseguiu uma vaga e até o fim da viagem, calculada em quatro dias, muitas coisas aconteceriam, sejam elas boas ou ruins.

Nos dois primeiros dias tudo foi tranquilo. Os passageiros dividiram o alimento e o pouco de água que guardavam. Durante o percurso, os homens enchiam os dois galões nos rios que encontravam a cada 100 km. Há tempos eles não bebiam um a água tão limpa. Era difícil dormir, mas para tudo dá-se um jeito. 

No terceiro dia, a situação começou a complicar. Não havia alimento para todos e mais de a metade das pessoas estavam desnutridas e desidratadas. Até a tarde do terceiro dia, a quantidade de pessoas que saíram de Paraú era a mesma no Espírito Santo. Mas no início da noite a situação mudou. Enquanto sua família dormia, Tomé resolveu levantar para buscar um pouco de água na garrafa do amigo, que estava do outro lado. Ele andou e caiu quatro vezes no caminhão, pois balançava muito, mas ninguém percebeu as quedas. No segundo passo depois do último tombo, o filho mais novo da família Silva não conseguiu se equilibrar e caiu mais uma vez, só que agora para fora do caminhão.

Um sonho ruim assustou Dona Sebastiana e ela acordou desesperada procurando pelo filho, mas não o encontrou. Olhou para fora do caminhão e percebeu algo caído no meio da estrada. Logo imaginou que fosse Tomé. Quase sem forças para gritar, a mãe acordou todos e pediu que o motorista parasse o pau-de-arara. Tadeu pegou as ervas que guardava, desceu e correu para encontrar o que poderia ser o seu filho. Os irmãos, a avó e a mãe o seguiram. Ninguém conteve as lágrimas quando confirmaram que o menino havia caído do caminhão. 

Dona Francisca analisou o neto e disse aos prantos: Ele está morto! 

Foi um momento de plena tristeza. Mesmo que faltasse pouco para os retirantes chegarem ao seu destino, a família Silva já estava sem forças para continuar. O filho mais novo, que teria um futuro promissor, acabava de deixar um vazio no coração de todos. Diante de tanto sofrimento, Tadeu deixou o saco de ervas no chão, pegou o filho nos braços e, junto com a esposa, a sogra e os outros dois filhos, fez todas as orações que conhecia. Era o último momento com Tadeu.

Diante da situação, o motorista do caminhão não podia ficar parado por muito tempo, pois outras pessoas poderiam não suportar mais. Então, sem avisar os Silva, eles partiram. Quando Dona Sebastiana percebeu, o pau-de-arara já estava muito distante e não dava tempo de chamá-lo de volta. Por um momento, Joana olhou para todos os lados e viu que estavam no meio do nada. Não havia pessoas, não havia casas, não havia animais e muito menos água.

A família permaneceu no meio da estrada e já pensaram em tudo o que podia acontecer enquanto estavam ali. Ainda com Tomé nos braços, Tadeu pediu perdão a todos e lamentou tudo o que estavam passando. 

A única coisa que deu tempo de Dona Sebastiana falar antes de eu, repórter, chegar e levá-los para São Paulo foi: "Não vamos nos desesperar, família, cada lágrima que a gente derramar agora será um sorriso quando o anjo aparecer para buscar nosso menino e iluminar nosso caminho. Deus nos protege, como sempre nos protegeu"  

Em tempos modernos, a família vai se adaptando ao modo paulistano de ser. 

                                                                                                                Ana Maria Reis

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sábado, 6 de julho de 2013

Entrevista com Nilmara Alves


Olá!! Aqui estou eu! De volta ao meu blog :)

Depois de tanto tempo, tanta correria da faculdade, do estágio, da Escola da Família e de tudo, eu volto escrever na minha página.

Começo com uma entrevista pingue pongue que fiz com a técnica da Academia Desportiva Manthiqueira, de Guaratinguetá-SP: Nilmara Alves. 

Ela é um espetáculo de pessoa/profissional.

Nilmara Alves:


Segunda mulher a ser treinadora de um time de futebol profissional no Brasil e natural de Aparecida-SP, Nilmara Alves ganha destaque na região do Vale do Paraíba e em todo o país. Após ser jogadora de futebol, preparadora física e representar diversas cidades em campeonatos regionais, Nilmara treina a Academia Desportiva Manthiqueira, de Guaratinguetá-SP.

Nilmara Alves
Corintiana e sempre apaixonada pelo esporte, principalmente o futebol, Nilmara é fã de Neymar e fala sobre a sua atuação na Copa das Confederações: "Ele precisa conhecer experiências diferentes e estilo de jogo diferente para evoluir mais ainda taticamente porque tecnicamente é sem comentários", diz.

Ela decidiu ingressar no ensino superior e se formou em Educação Física. Em 2004, a atleta atuou como treinadora das categorias de base sub-15 e sub-17 do clube Mathiqueira, que foi filiada na Federação no ano seguinte. Seis anos depois, a aparecidense passou a ser preparadora física do time. Modesta, Nilmara diz que não sabia da importância que teria para o esporte: "Já sabia da filosofia de trabalho que era diferenciada e tinha um pouco a ver comigo e não tinha noção da importância que seria para o meio do futebol".

Após anos de experiência no clube Manthiqueira com as categorias de base e representando as cidades do Vale no Campeonato Paulista, nos Jogos Regionais e nos Jogos Abertos, Nilmara Alves recebeu, em 2012, o convite do presidente da academia Desportiva Manthiqueira, Dado de Oliveira, para ser treinadora oficial do clube.

Atualmente, Nilmara também trabalha na secretaria de Esportes da cidade de Aparecida-SP e é treinadora do time feminino de futebol da cidade. Além disso, ela é voluntária no treinamento de jovens da categoria sub-20. Um trabalho importante para esses jovens, pois, além de afastá-los do mundo das drogas, permite o convívio com uma profissional, o que aproxima mais o sonho da realidade. "O que mais me motiva é ver que esses jovens, mesmo com todos os problemas sociais, conseguem arrumar motivos para treinar e com muita vontade e determinação", afirma a atleta.


Repórter-

Você dedicou toda a sua juventude ao esporte, principalmente ao futebol. Qual foi o momento da sua vida em que você percebeu que deveria atuar nessa área de forma profissional?

Nilmara -

Sempre joguei futebol, sou uma amante de esporte e principalmente o futebol desde pequena. Em casa tinha um terraço e nos finais de semana meus primos iam jogar bola lá, e eu ia pra ficar assistindo eles jogar. Sempre faltava uma pessoa e eu acabava jogando e foi onde decidi jogar bola e não parei mais. Estou jogando até hoje!

Decidi trabalhar como profissional quando tinha uma turma de amigas que moravam em Aparecida e adoravam jogar futebol, mas na cidade não tinha ninguém que as apoiassem. Eu jogava para uma cidade vizinha, já estava cursando a faculdade e foi quando decidi ajudar elas a participar dos Jogos Regionais. A minha vontade era jogar essa competição representando minha cidade, e se conseguisse ajudar elas a participarem, poderia incentivar alguém a tomar conta e eu pudesse jogar pela minha cidade mais pra frente. Eu já estava inscrita para jogar para uma outra cidade e não podia jogar por Aparecida e consegui convencer o Departamento de Esporte e inscrever as meninas para os jogos. Conversei com um rapaz e ele aceitou ir como treinador, só que de ultima hora ele não pode ir, pois não foi liberado do serviço. Aí tinha um grande problema: ou eu ia como treinadora e não jogava ou eu ia jogar e as meninas iam ficar sem uma pessoa pra comandar. Foi onde tive que tomar a decisão mais complicada e resolvi ir como treinadora delas. Foi muito legal a experiência e resolvi continuar.

Repórter - 

Ao assumir tamanha responsabilidade com o Clube Mathiqueira e com o Brasil, você tinha noção da sua importância também no meio social?

Nilmara -

Quando resolvi assumir o comando do Manthiqueira foi principalmente para ajudar o time e por já conhecer o trabalho do clube. Já sabia da filosofia de trabalho que era diferenciada e tinha um pouco a ver comigo e não tinha noção da importância que seria para o meio do futebol. Com o passar do tempo fui tendo a noção da importância que tinha no meio do futebol e para as mulheres.



Repórter -

Poucas mulheres trabalham com o futebol e ainda há muito preconceito em relação a isso. Comandar um time masculino é um desafio?

Nilmara -

Com certeza é um desafio enorme, por não ser uma coisa muito comum no meio do futebol, onde muitos dizem que é um mundo masculino. O preconceito ainda existe mas tenho confiança que vai acabar se mais mulheres resolverem se aventurar nesse meio.



Repórter -

Além de treinadora profissional, você também treina, de forma voluntária, os times das categorias de base de Aparecida. Qual é o perfil desses jovens e o que te motiva a realizar esse trabalho?

Nilmara -

Sim, trabalho como professora em trabalho social na cidade de Aparecida com crianças de bairros mais carentes. São jovens carentes com pouco ensino e de classe baixa. O que mais me motiva é ver que esses jovens, mesmo com todos os problemas sociais, conseguem arrumar motivos para treinar e com muita vontade e determinação.



Repórter - 

Como você avalia os primeiros técnicos no início da sua carreira? Agora que você está no lugar deles, qual a mensagem que você deixa aos jovens que se dedicam ao esporte?

Nilmara -

Já tive vários tipos de técnicos. Todos serviram de lição pra mim. O que eu achava que seria bom, guardava, e o que achava que não era produtivo, jogava fora, mas deixava na lembrança para saber que não poderia cometer esses equívocos mais na frente.



Repórter -

Você se espelhou nos seus treinadores?

Nilmara -

Não digo que espelhei, porque cada pessoa tem sua identidade e seu modo de lidar com os profissionais, mas algumas coisas tirei como lição para melhorar meu conhecimento, isso sem dúvida.



Repórter -

Como é a Nilmara longe dos gramados?

Nilmara -

Sou uma pessoa tranquila, que gosta de conversar com amigos, dar risadas, não sou muito de sair, ir em baladas. Prefiro coisas mais tranquilas, como: cinema, barzinho com as amigas. Gosto muito de estar com a família e de viajar, e claro, jogar bola (risos). Quando não estou trabalhando e não estou jogando, estou assistindo jogos na TV, gosto de assistir todos os tipos de esporte.

(Quando a Nilmara nos deu a entrevista, ela estava afastada dos treinos por motivos de saúde)



Repórter -

O seu pai sempre a apoiou a seguir esse caminho. Já a sua mãe, no início, ficava preocupada em você se formar em outra profissão. Qual é a importância da família para você em toda a sua trajetória e construção de valores?

Nilmara -

Muito importante. Tudo que sou e tenho é minha família que me ajudou a construir. Pessoas honestas e do bem, que sempre me mostraram o caminho certo a seguir. Mesmo eu optando pelo futebol, eles aceitaram e me apoiaram. No começo, minha mãe não aceitava muito, mais em nenhum momento virou as costas pra mim.



Repórter - 

Corintiana e admiradora do jogo de Neymar, qual a sua opinião sobre o atleta na Copa das Confederações e com a sua ida ao Barcelona?

Nilmara -

O Neymar é um craque e o craque tem facilidade de se adaptar em qualquer lugar. Ele vai se dar muito bem no Barcelona e para o Brasil vai ser muito bom. Ele precisa conhecer experiências diferentes e estilo de jogo diferente para evoluir mais ainda taticamente porque tecnicamente é sem comentários.

Na Copa das Confederações ele vai jogar bem porque esta motivado e feliz, um craque motivado e feliz joga até com os olhos fechados (risos).


                                                                                                            Ana Maria Reis

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