segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Retrospectiva Potim 2013

Política:
O ano de 2013 já começou agitado no meio político da cidade de Potim. A população, logo no início, vivenciou uma disputa pela prefeitura. Quem venceu as eleições em 2012 pela maioria dos votos foi João Benedito Angelieri, mais conhecido como João Cascão, no entanto, não pôde assumir, pois o registro de sua candidatura foi recusado. Diante da situação, Benito Carlos Thomaz, segundo colocado, ficou com o cargo.
Prefeito Benito Thomaz (Jornal Atos)

No dia 24 de Janeiro, a Juíza eleitoral de Aparecida, Cindy Covre, acatou denúncias do Ministério Público Eleitoral e cassou o mandato de Benito e de toda a chapa eleitoral da qual ele fazia parte. O prefeito foi acusado de fornecer camisas de futebol em troca de votos. De acordo com as normas eleitorais, quem assumiria a cadeira nesse período seria o presidente do legislativo, João Guilherme Angelieri.

A posse do vereador já estava marcada para o dia 29 de janeiro, mas Benito entrou com recurso e conseguiu anular a decisão da juíza. Ele prosseguiu com os trabalhos no gabinete da prefeitura e a câmara continuou com os dela.

Quando tudo parecia mais tranquilo em Potim, na primeira semana de fevereiro, a sessão de câmara foi extensa e tumultuada. Isso porque os vereadores receberam três denúncias da população contra a administração de Benito Thomaz. 

Presidente da Câmara João Guilherme (da internet)
Dois meses depois a câmara aprovou, por 5 votos a 3, a criação de uma Comissão Especial de Inquérito, assinada por 50 munícipes, para investigar uma das denúncias. O suposto abastecimento irregular de veículos que não fazem parte da frota da prefeitura foi o foco das investigações. No entanto, logo após o recesso do meio do ano, a CEI foi arquivada por falta de provas.

A partir de então, Benito Thomaz foi alvo de mais investigações, desta vez em relação a lei orçamentária. Uma Comissão Processante foi instaurada e, mais uma vez, o prefeito correu o risco de perder o mandato. Segundo as denúncias do legislativo, a administração municipal não estava repassando o valor determinado para custeio de despesas da câmara. A chamada CEI do duodécimo foi mais uma tentativa dos vereadores, já que em novembro a
Justiça de São Paulo anulou, pela sexta vez, a sessão extraordinária que votaria o relatório final da comissão.

Infraestrutura:

Quando se fala em números de habitantes, a cidade de Potim cresceu, e muito. De todo o Vale do Paraíba, foi a de maior destaque no ranking do IBGE. Cresceu mais de 10% no último ano, avançando para uma população de mais de 22 mil pessoas. No entanto, quando se fala em infraestrutura, muitos recursos foram buscados, mas pouca coisa mudou.

Uma das promessas do prefeito Benito, no início do ano, foi que o maior número de investimentos durante seu mandato seria em torno da infraestrutura do município. Tanto é, que a tradicional festa do peão em comemoração ao aniversário da cidade, em maio, foi cancelada, pois, segundo o prefeito, pavimentação e saúde são prioridades.

Cemitério Municipal (O Diário de Potim)
O destaque ficou por conta do cemitério municipal. Após mais de 6 anos de obras, no dia 28 de junho finalmente o cemitério de Potim, no bairro Vista Alegre foi entregue. A obra contou com vários dilemas. A administração teve que devolver o valor total da obra, por conta de irregularidades na utilização na administração anterior e Benito teve que pleitear um novo recurso, por meio do governo estadual, para a finalização. O cemitério Santíssimo redentor chegou para desafogar os cemitérios das cidades de Aparecida e Guaratinguetá.


Potim também recebeu outros recursos. Foram 7 milhões de reais anunciados pelo governo federal, por meio do programa PAC 2, para obras de infraestrutura, como pavimentação, iluminação e ciclovias, que devem ser iniciadas no fim do próximo ano. 40 casas populares no bairro Vista Alegre foram anunciadas para a população potinense e estão em andamento. Quanto às 20 casas no bairro Jardim Alvorada, do programa Minha Casa Minha Vida, os moradores de área de risco ainda aguardam pela conclusão das obras.

Benito assina termo do Projeto Creche Escola
Além disso, a prefeitura assinou convênio para a construção de mais uma creche no bairro CDHU, que terá capacidade para 150 alunos. A área da saúde não ficou de fora. A Unidade Básica de Saúde foi ampliada e mais três UBSs serão construídas no município.

Outro empreendimento que gera muita expectativa por parte da população é o acesso à Dutra. O Prefeito Benito Thomaz assinou a Ordem de Serviço para a elaboração do projeto executivo para implantação e pavimentação da ligação da cidade de Potim à Rodovia Presidente Dutra. 

O município de Potim tem tudo para crescer ainda mais e se desenvolver, desde que todas as obras anunciadas sejam concluídas no prazo determinado, funcione corretamente e a busca por recursos não pare.

Água:

Dentre todos os problemas, o mais preocupante é em relação à qualidade de água, e a falta dela também. Enquanto os moradores sofrem, a câmara e a prefeitura ficaram no impasse. Mais um ano se passou e a solução não saiu do papel.

Imagem ilustrativa (www.dc46.com.br)
Em janeiro, o prefeito Benito prometeu se reunir com os vereadores para solucionar o problema, que, segundo ele, seria por meio de uma concessão à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp. A prefeitura realizou o Plano Municipal de Saneamento Básico e deu início a uma consulta pública para colher a opinião dos moradores de Potim sobre o assunto. E quando se trata da qualidade da água, a opinião da população é unânime.

Alguns meses se passaram e em junho o problema veio a tona. A prefeitura marcou uma audiência pública para que os técnicos da Vigilância Sanitária apresentassem o problema à população e os representantes da Sabesp pudessem esclarecer como seria o trabalho da empresa no município.

800 munícipes participaram da audiência, que também contou com um grupo que repudiou a proposta da prefeitura em contratar a Sabesp. O maior questionamento foi em torno do valor a ser cobrado pela empresa. Mesmo assim, o prefeito Benito avaliou de forma positiva a reunião.

Audiência Pública sobre a água (potim.sp.gov.br)
Na semana seguinte, a Câmara votou, em regime de urgência, o projeto de lei 08/2013 de autoria do executivo, que pedia a autorização da concessão do tratamento de água e esgoto para a Sabesp. Por 7 votos a 4, os vereadores não aprovaram a concessão. A partir de então, os serviços continuaram a ser feitos pelo próprio município e nenhuma nova proposta foi apresentada.

Buscando amenizar o problema do abastecimento de água em alguns bairros, a prefeitura de Potim, por meio de convênio com o governo do Estado, perfurou um novo poço artesiano no bairro Frei Galvão e a população espera que essa seja a solução definitiva para o problema da escassez, já que a péssima qualidade ainda permanece.

                                                                                                                           Ana Maria Reis

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Aleatório

E o Jesus menino nasceu...
E você? 
Nasceu de novo? Renovou o espírito? Fez as pazes?
O próximo ano está bem ali! Mais alguns dias e a gente começa a fazer as mesmas promessas, mais uma vez. Aí o ano acaba de novo e a gente promete de novo. hahahaha
Ah, essa vida de promessas não dá mais pra viver. Entre prometer e viver, eu prefiro sonhar.
Acorda pra vida, cara! Nada está perdido. O ano ainda não acabou. Corre e cumpre o que prometeu.
Fim de ano é sempre a mesma coisa e as mensagens também são as mesmas. Não sei nem porque estou escrevendo...
... Era só pra dizer que você não pode ser o mesmo. De jeito nenhum seja o mesmo!
Que fim de ano confuso!
O bom de tudo isso é que todo mundo se gosta, todo mundo se ama, todo mundo se abraça!
O melhor de tudo isso é que tudo recomeça! 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Vale do Paraíba registra temperatura mais alta da primavera

O Vale do Paraíba registrou ontem o dia mais quente da primavera, com 36º C em quase toda  a região. Nas últimas semanas, a oscilação de temperatura vem sendo característica desta estação.

Na semana passada, por exemplo, a cidade de Aparecida teve a temperatura mais baixa dos últimos anos para um mês de novembro, onde as máximas não passaram dos 17º na quarta-feira.

Segundo o meteorologista do Instituto Somar, Celso Oliveira, a temperatura é mais alta por conta dos longos períodos de sol, causados pelo horário de verão, e também pelas chuvas mais freqüentes. Além disso, a temperatura do oceano pacífico está mais fria nos últimos meses e esse fenômeno influencia diretamente na temperatura do ar.
Em relação ao verão deste ano, que começa no dia 20 de dezembro, a influência da frente fria faz com que a temperatura não suba muito e não cause grande aumento nas temperaturas máximas.


Inclusive, amanhã chega uma frente fria aqui pela região, de acordo com o Instituto.

                                                                                                                     Ana Maria Reis

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Com a chegada da primavera cresce o número de casos de catapora no Estado

Com a chegada da primavera a quantidade de casos de catapora aumenta. Números do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado revelam que até julho deste ano 2.168 casos da doença foram confirmados em crianças com idade entre 0 e 9 anos. Saiba os detalhes ouvindo a minha entrevista, gente:

http://www.a12.com/radio-aparecida/noticias/detalhes/com-a-chegada-da-primavera-cresce-o-numero-de-casos-de-catapora-no-estado

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Capitalismo, Informação e Interesse.

A comunicação é capitalista, pois, na medida em que o mercado da informação se desenvolve mais solitária a sociedade se torna. Isso porque as novas tecnologias não aproximam as pessoas, apenas as deixam com desejos de consumo cada vez maiores. O conceito de social está relacionado, hoje, às novas tecnologias e principalmente às redes sociais. Já a informação tem como função criar uma única forma de as mensagens chegarem até o consumidor/sociedade, com o intuito de criar um padrão social. Essas novas formas de comunicação movimentam a economia global.

A informação que circula nos meios de comunicação leva o consumidor a um único ponto: adquirir novos produtos, num infinito desejo que nunca é saciado. Sendo assim, a relação que a comunicação e a cultura estabelecem com o capitalismo é o fato de que, na medida em que o mercado cresce, as pessoas têm mais condições de se desenvolver e, consequentemente, as empresas ganham mais lucros.

Devido ao grande impacto causado por essa nova tecnologia ao meio ambiente surgiu a necessidade de produzir de maneira sustentável, ou seja, subtraindo materiais do meio ambiente e desenvolvendo-o em várias etapas. A reutilização de produtos faz-se necessário, pois a extração de matérias-primas é feita em escala cada vez maior, o que compromete os recursos naturais e a produção industrial.

Tal maneira de produção é feita de acordo com a cultura, moral e costume de cada conglomerado e envolve todos os indivíduos que compõem a base social, desde os grandes empresários de indústrias sustentáveis até os consumidores. Uma alternativa sustentável feita atualmente é o programa de coleta seletiva de resíduos, onde todos os municípios brasileiros devem se enquadrar por uma determinação do governo federal. Essa proposta incentiva a população a mudar seus hábitos em relação ao descarte de lixo, incentivando o indivíduo a fazer a separação correta dos resíduos que podem ou não ser reutilizados.

Além da nova cultura adotada pela população, a sustentabilidade incentiva a criação de novas formas de produção e trabalho independente. Ainda utilizando o exemplo da coleta seletiva, empresas e cooperativas começam a ser criadas para efetuar a seleção e destinação dos resíduos, uma vez que tal atividade é obrigatória. As iniciativas sustentáveis, por mais bem intencionadas que aparentem ser, ainda têm como principal objetivo a obtenção de lucros - característica do capitalismo. Além disso, gera informação para todos os meios de comunicação.

Diante do sistema econômico atual e suas consequências e influências no processo de comunicação, uma das maiores preocupações atuais é com o grau de controle de outros países sobre o Brasil. Que uma nação influi sobre a outra não há dúvidas, mas a vida social não deve ser prejudicada por um modo de vida importado. De fato, nem todas as informações que chegam até aqui têm filtros e, por isso, não devem ser totalmente confiáveis. Outros países têm interesses sobre o Brasil e por isso deve ser identificado pelo tipo de informação internacional disseminada e a influência que elas causam na sociedade.

Um exemplo de informação que tem forte influência no Brasil, por estar em todos os noticiários nacionais e internacionais, é o conflito no Quênia. Até que ponto todas as notícias que chegam aos telespectadores, ouvintes e leitores são, de fato, importantes? O agendamento de notícias é princípio básico para quem deseja conhecer o que está por trás da notícia. O que podemos adiantar é que as notícias são um mar de interesse vendido como interesse popular. Qual o grau de interesse de um brasileiro em um conflito como esse? Será que realmente atinge a vida da maioria? Se sim, não vejo tanto impacto. Aliás, seria mais interessante falar de um buraco numa rua de qualquer cidade, do que falar sobre um conflito em um lugar a milhas de distância. Mas, se o que vende é isso, se os interesses dos mais poderosos são esses, então que seja feita a vontade deles. Outro questionamento é: Qual tipo de filtro é feito até essas informações chegarem à população? Quem faz o filtro é o jornalista e seus interesses pessoais.


Os profissionais de comunicação adotam esse tipo de informação e vendem com interesses subjetivos, e como se trata de informação, a intenção é modelar a sociedade e tornar comum uma realidade internacional como sendo de interesse de todos. Unidos, o capitalismo, a comunicação e os interesses formam uma sociedade cada vez mais carente de discernimento. Tudo isso, se estiverem caminhando paralelamente de maneira errônea. 

                                                                                                            Ana Maria Reis

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sábado, 28 de setembro de 2013

Apaes correm risco de fecharem as portas

Possível Fechamento das Apaes: Esse foi o tema do meu editorial no Jornal Radar - um trabalho acadêmico desenvolvido por mim e outros alunos do terceiro ano.
Confira:

Uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação tem tirado o sono de profissionais e beneficiários das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais, ou seja, as APAES de todo o Brasil. O projeto do PNE, que está bem conhecido como Meta 4, foi encaminhado pelo Ministério da Educação ao Congresso em 2010. Sofreu alterações na Câmara e voltou à redação inicial no Senado.

Após ser aprovado na Câmara, foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado por unanimidade e remetido à Comissão de Constituição de Justiça. A proposta ainda será apreciada na Comissão de Educação e pelo Plenário do Senado. Depois pode sofrer alterações, receber vetos da presidente Dilma Rousseff e se isso acontecer, os vetos voltam ao Congresso para nova votação.

Mesmo faltando tantas etapas para a conclusão desse processo, o medo de que as APAES fechem é nacional. Movimentos aconteceram e continuam acontecendo por aí a fora para tentar pressionar o governo a cancelar esse projeto - se é que eles compreendem a importância dessas associações. A proposta sugere uma universalização do ensino de crianças e jovens de 4 a 17 anos. Tal proposta agruparia todos os estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede pública de ensino.

Agora fica a pergunta: Qual é a qualidade da rede pública de ensino atualmente? Do jeito que o ensino público do Brasil está, essa ideia só daria certo por um milagre. Não pelo fato de unir os estudantes, mas pela incompetência do poder público em garantir um ensino de qualidade e equilibrado a todos em sala de aula. 

Não há vagas, não há professores para isso, não há estrutura, não há vontade! 

Se nem o ensino regular de pessoas sem deficiência funciona direito, imagine como seria o desenvolvimento dessas crianças especiais, que precisam de atenção redobrada. O Ministério da Educação nega a extinção das APAES, mas também não garante se vai contribuir financeiramente para que continue. Será que o dinheiro dos cofres públicos é insuficiente para colaborar com esse atendimento diferenciado à quem precisa, já que o governo não tem competência pra cumprir tal obrigação, e então, está querendo economizar? Aposto que não!

Talvez se ficássemos quietinhos e deixássemos acontecer toda a votação de forma passiva, por um momento estaríamos contribuindo para que mais crianças e jovens fiquem a mercê dessas escolas mal estruturadas. Não é uma questão política, é uma questão social. Basta conversar com os pais dessas crianças e ver a diferença que faz ter um cuidado especial. Cuidado que nem todos os pais podem ter com os seus filhos. 

Agora, se esse projeto vai ser aprovado eu não sei, se as Apaes vão ser extintas, eu não sei. No entanto, essa tal de universalização, com certeza, não daria nada certo. Pelo menos na situação em que a educação brasileira se encontra, isso não daria certo mesmo. Sendo assim, basta aguardar a votação, e, enquanto isso, os profissionais e beneficiários das Apaes continuam perdendo o sono.

                                                                                                    Ana Maria Reis

sábado, 24 de agosto de 2013

E hoje eu descobri... (pensamentos)

Hoje eu descobri que quero mudar de ideia
Quero voltar naquele lugar e gritar que estava errada
Nada é mais verdadeiro do que o que eu guardo aqui, há anos...
Vem pra cá, me liga, conversa bobagens comigo e diz que também quer mudar de ideia

Aliás, quem não muda de ideia?
Quem não erra?
E por quê não assumir e voltar a ser feliz?

Pelo jeito, a infância deixou rastros e a adolescência permanece
Todas as loucuras, ou melhor, momentos, não foram em vão
Pelo jeito, eu quero voltar atrás mesmo
Essa solidão aqui já não combina mais comigo

Eu quero que você corra pra minha casa quando eu chamar
E me observe até eu adormecer
Eu quero aquela segurança de novo e ter bons momentos pra viver

Meu bem, eu já não estou suportando essa rotina e quero voltar atrás
É, pode ser passageira
Mas eu só sei que hoje eu descobri que quero mudar essa ideia maluca
De ficar sem você.

Ana Maria Reis

domingo, 18 de agosto de 2013

Desabafo!


O tempo vai passando e a gente vê o quanto é difícil seguir regras, respeitar limites, colocar ordem nas coisas, não ultrapassar o deadline, respeitar a periodicidade, não prometer coisas que não vamos cumprir. Enfim... é tão difícil ser uma pessoa responsável e de palavra.

Ah, como é difícil!

A gente coloca numa listinha pra não esquecer, mas aos poucos a listinha vai virando um listão sem controle. Quando penso que não, já estou perdida nas promessas, já estou entregando os presentes super atrasados, deixando de dar os parabéns no dia certo, bagunçando o guarda-roupas de novo... Os livros? Ah, nem me fale da listinha de livros que eu tinha que ler até ontem. O pior é que a gente perde o controle, mas acaba prometendo tudo de novo.
Talvez esse texto não tenha fundamento nem utilidade, mas eu tenho a necessidade de escrevê-lo.
Eu tenho tanta coisa pra fazer, mas tanta coisa pra fazer, que acabo optando por jogar guitar flash online com o colegas de não sei onde. É uma maluquice sem tamanho! Mas como vou explicar isso? Sei que desde criança sou muito atarefada e pode ser, por uma explicação lógica, que agora eu esteja querendo o sossego que eu não tive antes. Mas eu não posso ter esse sossego que eu quero. Aliás, eu tenho compromissos!

As coisas da faculdade não podem atrasar e devem ser muito bem feitas e as do estágio então, nem se fala. Me dedico ao máximo, porque eu adoro isso. É o meu sonho. Uma promessa feita a mim mesma e que estou cumprindo da melhor maneira. Então o que será que está errado? Será que eu prometo demais? Será que eu não sei organizar meu tempo? Será que isso é normal e eu estou exagerando?

Ah, como é difícil !

Eu sei que um dia, mais cedo ou mais tarde, eu vou me organizar e ler todos os livros da lista, dar todos os presentes que prometi, ajudar a todas as pessoas que me pediram ajuda e terminar todos os trabalhos com um bom tempo de antecedência...

Enquanto isso, a partir de hoje eu não me comprometo a mais nada! (opa, já estou me comprometendo)

sábado, 13 de julho de 2013

História de um Repórter - 'Criança Morta', de Cândido Portinari.

Essa é uma narrativa que eu escrevi para um trabalho da faculdade. 
Tínhamos que desenvolver uma história em cima de uma obra de arte eu escolhi esta, pois tem um pouco a ver com a minha vida.

Obra: Criança Morta
Artista: Cândido Portinari
Ano: 1944
Estilo: Expressionismo 

Criança Morta, 1944, Cândido Portinari

Sobre a obra: 'Criança Morta,' de Cândido Portinari, faz parte de uma série de pinturas sobre os retirantes nordestinos, ou seja, o drama do povo brasileiro que sai de sua terra natal em busca de melhores condições de vida. É uma obra dramática e pode ser observada pela expressão das personagens, que lutam para sobreviver. Esse quadro causou muita repercussão na época (1944), pois a sociedade não estava preparada para ver tamanha miséria, retratada pelos pincéis de Portinari. Inclusive, alguns textos falam que o autor foi perseguido pelo governo por causa dessa obra. É claro! Que governo não gosta que divulguem a realidade.


Sobre o autor: Cândido Portinari é um dos pintores brasileiros mais famosos do mundo. Ele nasceu em 1903, na cidade de Brodowski (parece cidade estrangeira, mas não é), interior de São Paulo. Estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro e terminou seus estudos na Itália. Além de produzir obras lindas, ele retratou questões sociais do Brasil, que é o caso da "Criança Morta", e por isso,  ficou muito conhecido.

História de um repórter

"Estar numa terra seca, quente e quase escassa de alimentação é, às vezes, insuportável. Às vezes não, sempre insuportável. Como pode passar no noticiário que o Brasil está caminhando para a erradicação da pobreza, sendo que aqui no sertão de Paraú, nós não temos nem água para cozinhar o arroz que nossos filhos precisam comer antes de irem à escola". 

Essa é a versão de Dona Sebastiana, uma nordestina guerreira, que luta para amenizar o sofrimento de seus três filhos: Jacó (8), Tomé (6) e Joana (12). Ela mora em Paraú, sertão do Rio Grande do Norte. Uma cidade que quase nunca chove, quase nunca tem visitas, tampouco governo pra ajudar. Porém, a notícia que se tem na televisão, o único passatempo para as 129 pessoas que moram na cidade, é de que o Exmo. Sr presidente está distribuindo dinheiro para o povo de todo o Brasil migrar para a classe B. Todo o Brasil. 

Em Paraú não tem Banco Central, nem banco de praça. Não tem Pão de Açúcar, a não ser o da padaria do Zequinha, que fica na esquina da casa de Dona Sebastiana. Em Paraú tem seca, tem fome, tem miséria. Mas esse não é o único problema da família, porque Joana recebeu uma herança de seu avô paterno. Um terreno com plantações de milho, arroz e batata doce é o que sustenta a família composta por seis pessoas. Além da chefe de família, do marido Diabético e dos três filhos, a família Silva tem a sorte da presença da mãe de Dona Sebastiana, Francisca, que é a única pessoa que ainda tem esperanças de uma vida menos sofrida. 

Certa noite, Jacó perguntou ao seu pai se podia jogar bola com os amigos da escola. Seu pai permitiu, porque o caminhão pipa esteve no sertão e deixou alguns litros de água a mais para passarem a semana. Assim, Jacó não corria o risco de desidratar. Não é todo dia que tem água em Paraú. Essa terça feira foi de muita alegria, tudo o que os moradores da cidade queriam fazer nos últimos três meses, ele puderam fazer. Lavaram roupas, cozinharam, regaram as plantações, tomaram um banho mais longo. Único dia em que tinha água em Paraú e que o pai de Jacó o autorizou que fosse jogar bola, o menino chutou a bola murcha como se nunca mais fosse chutá-la novamente.  

Enquanto isso, Joana estava em casa brincado com o sabugo que acabara de tirar da plantação. Esse sabugo representa uma boneca que o resto do mundo possui, a boneca Barbie. Só que esta estava no padrão Paraúano: magérrima, cabelo crespo e um pouco de sujeira em cada parte do corpo. A menina sempre via na televisão uma piscina cheia, que sonhava em entrar nela um dia. O governador do Rio Grande do Norte disse que em 2012 todas as escolas deveriam ter aula de natação, mas a menina sabia que isso era impossível em Paraú, pois a escola que estudava era no quintal de uma professora aposentada e generosa.  

Dona Francisca adoece

A cada reportagem assistida, uma utopia a mais na vida de cada membro da família Silva e de cada cidadão na comunidade. Cidadão sim, porque todos lá votam. Votam porque são obrigados, mas ninguém acredita nas promessas da TV, nem da ‘Voz do Brasil’. Ninguém aparece lá para implorar votos porque a cidade é muito distante de tudo, ninguém faz questão desses 129 registros. Mal sabem eles, que quem colocou Fernando Henrique Cardoso no poder em 1995 foram os paraúenses. 

Politica e políticos a parte, Jacó continua jogando bola e Joana brincando com sua boneca-milho. 

Depois de três horas de jogo, Jacó já estava exausto e correu para casa para tomar água e tomar um banho. Ele tinha que aproveitar esse dia, pois ninguém sabia quando ia ser a próxima vez. Tomé, irmão mais novo, tem um gênio forte. Critica e questiona tudo que está ao seu redor. Isso preocupava a família, porque ele não tinha idade pra dar tanto trabalho assim. Mas tem o lado positivo. Tudo o que saía de sua boca fazia seus pais refletirem. Todos acreditavam que Tomé era o futuro da família, porque disseram na televisão que as pessoas que questionam têm mais chances de superar as barreiras da vida. A esperança de Dona Francisca é que ele consiga passar no tão falado vestibular, faça medicina e leve todos para São Paulo para trabalhar e ter uma vida mais confortável. 

Certo dia, duas semanas após a chegada do caminhão pipa, a família saiu em busca de uma pessoa para cuidar da mãe de Dona Sebastiana, que estava adoecendo. Ninguém sabia qual era a doença que gerava aqueles sintomas de febre, desmaios e dores, nem mesmo a vizinha que trabalhava com plantas medicinais - a única pessoa que sabia ajudar as pessoas da comunidade. 

Depois de uma hora andando pelas ruas secas de Paraú, o pai lembrou-se de um amigo que havia lhe apresentado um remédio para cicatrizar feridas e foi até ele pedir ajuda para a sogra. Seu Francisco realmente conhecia do assunto e podia dizer qual era a solução para aqueles problemas. 15 minutos de conversa foram suficientes. A mãe de Dona Sebastiana comeu algumas folhas durante três dias e logo depois já estava melhor. Aqueles sintomas tinham sumido por apenas uma semana. 

Tomé, sempre preocupado com o que estava acontecendo, perguntou ao seu pai se a avó ia morrer. Seu Tadeu não soube responder com precisão, mas foi compreensivo com o filho e disse: Não sei te responder. Se a sua avó for dessa para uma melhor, nós vamos rezar muito para ela e, com certeza, junto com o papai do céu é muito melhor. Era muito difícil falar daquele assunto, pois a doença da avó Francisca tinha desestabilizado toda a família, mas a comunidade estava empenhada em ajuda-la. 
Tudo já era complicado em Paraú, mas complicou ainda mais. 

A água diminui, a população diminui

Já fazia um mês que a região estava sem abastecimento de água. O período de estiagem chegou e com ele, o desespero de toda a comunidade. Crianças e idosos com problemas respiratórios, gados morrendo, plantações sem nutriente algum. Tudo o que a família Silva queria era um pouco de chuva e um pouco de tranquilidade. Queria, também, uma oportunidade de migrar daquela cidade para outro Estado. Cogitavam São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou, pelo menos, Natal. 

Dois meses se passaram. Era 28 de Agosto e o único rio da cidade estava com apenas 20 milímetros de profundidade. A população já havia sido reduzida a 110 pessoas. Ninguém saía na rua, todos dormiam o maior tempo possível para driblar a fome.

Antes de amanhecer, um barulho atormentou o sono da família Silva. Todos acordaram com o barulho de motor velho. O medo não deixou que os pais saíssem na rua para saber o que estava acontecendo, mas o pentelho Tomé fez isso por eles. Escondido da família, o filho mais novo pulou a janela e foi para a rua saber de onde vinha o barulho. Quando chegou perto da cerca, viu que era um caminhão baú e várias vozes surgiam de dentro do veículo.

A curiosidade falou mais alto e o menino, de apenas seis anos, chegou mais perto do caminhão, que estava parado em frente a sua casa. Dezenas de pessoas estavam aglomeradas, entre elas, animais, móveis e alguns alimentos.  Tomé viu aquilo e lembrou-se de uma reportagem que viu na televisão, onde nordestinos saíam em um caminhão de sua comunidade e buscavam melhores oportunidades em outros lugares do país. Ele não sabia, mas o nome desse caminhão é pau-de-arara. Essa era uma grande chance. Não pensou duas vezes e com sua garganta seca, saiu gritando pela rua até chegar à sua casa: Mãe, pai, vó, vamos embora! Estão nos esperando. 

Todos levantaram apavorados e foram verificar o que estava acontecendo. Depois de dar uma bronca no menino, Tadeu viu que era verdade a história do caminhão e logo chamou Dona Sebastiana. Os olhos brilharam e algumas gotas de lágrimas escorreram pelo rosto do casal. Realmente, era uma grande oportunidade. Ninguém sabia quem havia mandado o pau-de-arara à Paraú, mas todos que quisessem, podiam entrar. Era gratuito. O destino era a grande cidade de São Paulo.  

Juntaram todo o alimento que guardavam em um saco e correram para não perder o lugar. Dona Sebastiana, Francisca, Tadeu, Tomé, Joana e Jacó estavam eufóricos, todos ansiosos e com o coração apertado, pois estavam prestes a mudar de vida. Infelizmente, no caminhão não cabiam todas as pessoas da comunidade e o horário de passagem era proposital. A família Silva foi a última a entrar no veículo.  

A hora da despedida

A coisa mais difícil para eles foi olhar pra trás e ver as outras famílias implorando por um lugar. Ninguém sabia se haveria transporte outro dia, mas era preciso partir. As esperanças iam surgindo de quem conseguiu uma vaga e até o fim da viagem, calculada em quatro dias, muitas coisas aconteceriam, sejam elas boas ou ruins.

Nos dois primeiros dias tudo foi tranquilo. Os passageiros dividiram o alimento e o pouco de água que guardavam. Durante o percurso, os homens enchiam os dois galões nos rios que encontravam a cada 100 km. Há tempos eles não bebiam um a água tão limpa. Era difícil dormir, mas para tudo dá-se um jeito. 

No terceiro dia, a situação começou a complicar. Não havia alimento para todos e mais de a metade das pessoas estavam desnutridas e desidratadas. Até a tarde do terceiro dia, a quantidade de pessoas que saíram de Paraú era a mesma no Espírito Santo. Mas no início da noite a situação mudou. Enquanto sua família dormia, Tomé resolveu levantar para buscar um pouco de água na garrafa do amigo, que estava do outro lado. Ele andou e caiu quatro vezes no caminhão, pois balançava muito, mas ninguém percebeu as quedas. No segundo passo depois do último tombo, o filho mais novo da família Silva não conseguiu se equilibrar e caiu mais uma vez, só que agora para fora do caminhão.

Um sonho ruim assustou Dona Sebastiana e ela acordou desesperada procurando pelo filho, mas não o encontrou. Olhou para fora do caminhão e percebeu algo caído no meio da estrada. Logo imaginou que fosse Tomé. Quase sem forças para gritar, a mãe acordou todos e pediu que o motorista parasse o pau-de-arara. Tadeu pegou as ervas que guardava, desceu e correu para encontrar o que poderia ser o seu filho. Os irmãos, a avó e a mãe o seguiram. Ninguém conteve as lágrimas quando confirmaram que o menino havia caído do caminhão. 

Dona Francisca analisou o neto e disse aos prantos: Ele está morto! 

Foi um momento de plena tristeza. Mesmo que faltasse pouco para os retirantes chegarem ao seu destino, a família Silva já estava sem forças para continuar. O filho mais novo, que teria um futuro promissor, acabava de deixar um vazio no coração de todos. Diante de tanto sofrimento, Tadeu deixou o saco de ervas no chão, pegou o filho nos braços e, junto com a esposa, a sogra e os outros dois filhos, fez todas as orações que conhecia. Era o último momento com Tadeu.

Diante da situação, o motorista do caminhão não podia ficar parado por muito tempo, pois outras pessoas poderiam não suportar mais. Então, sem avisar os Silva, eles partiram. Quando Dona Sebastiana percebeu, o pau-de-arara já estava muito distante e não dava tempo de chamá-lo de volta. Por um momento, Joana olhou para todos os lados e viu que estavam no meio do nada. Não havia pessoas, não havia casas, não havia animais e muito menos água.

A família permaneceu no meio da estrada e já pensaram em tudo o que podia acontecer enquanto estavam ali. Ainda com Tomé nos braços, Tadeu pediu perdão a todos e lamentou tudo o que estavam passando. 

A única coisa que deu tempo de Dona Sebastiana falar antes de eu, repórter, chegar e levá-los para São Paulo foi: "Não vamos nos desesperar, família, cada lágrima que a gente derramar agora será um sorriso quando o anjo aparecer para buscar nosso menino e iluminar nosso caminho. Deus nos protege, como sempre nos protegeu"  

Em tempos modernos, a família vai se adaptando ao modo paulistano de ser. 

                                                                                                                Ana Maria Reis

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sábado, 6 de julho de 2013

Entrevista com Nilmara Alves


Olá!! Aqui estou eu! De volta ao meu blog :)

Depois de tanto tempo, tanta correria da faculdade, do estágio, da Escola da Família e de tudo, eu volto escrever na minha página.

Começo com uma entrevista pingue pongue que fiz com a técnica da Academia Desportiva Manthiqueira, de Guaratinguetá-SP: Nilmara Alves. 

Ela é um espetáculo de pessoa/profissional.

Nilmara Alves:


Segunda mulher a ser treinadora de um time de futebol profissional no Brasil e natural de Aparecida-SP, Nilmara Alves ganha destaque na região do Vale do Paraíba e em todo o país. Após ser jogadora de futebol, preparadora física e representar diversas cidades em campeonatos regionais, Nilmara treina a Academia Desportiva Manthiqueira, de Guaratinguetá-SP.

Nilmara Alves
Corintiana e sempre apaixonada pelo esporte, principalmente o futebol, Nilmara é fã de Neymar e fala sobre a sua atuação na Copa das Confederações: "Ele precisa conhecer experiências diferentes e estilo de jogo diferente para evoluir mais ainda taticamente porque tecnicamente é sem comentários", diz.

Ela decidiu ingressar no ensino superior e se formou em Educação Física. Em 2004, a atleta atuou como treinadora das categorias de base sub-15 e sub-17 do clube Mathiqueira, que foi filiada na Federação no ano seguinte. Seis anos depois, a aparecidense passou a ser preparadora física do time. Modesta, Nilmara diz que não sabia da importância que teria para o esporte: "Já sabia da filosofia de trabalho que era diferenciada e tinha um pouco a ver comigo e não tinha noção da importância que seria para o meio do futebol".

Após anos de experiência no clube Manthiqueira com as categorias de base e representando as cidades do Vale no Campeonato Paulista, nos Jogos Regionais e nos Jogos Abertos, Nilmara Alves recebeu, em 2012, o convite do presidente da academia Desportiva Manthiqueira, Dado de Oliveira, para ser treinadora oficial do clube.

Atualmente, Nilmara também trabalha na secretaria de Esportes da cidade de Aparecida-SP e é treinadora do time feminino de futebol da cidade. Além disso, ela é voluntária no treinamento de jovens da categoria sub-20. Um trabalho importante para esses jovens, pois, além de afastá-los do mundo das drogas, permite o convívio com uma profissional, o que aproxima mais o sonho da realidade. "O que mais me motiva é ver que esses jovens, mesmo com todos os problemas sociais, conseguem arrumar motivos para treinar e com muita vontade e determinação", afirma a atleta.


Repórter-

Você dedicou toda a sua juventude ao esporte, principalmente ao futebol. Qual foi o momento da sua vida em que você percebeu que deveria atuar nessa área de forma profissional?

Nilmara -

Sempre joguei futebol, sou uma amante de esporte e principalmente o futebol desde pequena. Em casa tinha um terraço e nos finais de semana meus primos iam jogar bola lá, e eu ia pra ficar assistindo eles jogar. Sempre faltava uma pessoa e eu acabava jogando e foi onde decidi jogar bola e não parei mais. Estou jogando até hoje!

Decidi trabalhar como profissional quando tinha uma turma de amigas que moravam em Aparecida e adoravam jogar futebol, mas na cidade não tinha ninguém que as apoiassem. Eu jogava para uma cidade vizinha, já estava cursando a faculdade e foi quando decidi ajudar elas a participar dos Jogos Regionais. A minha vontade era jogar essa competição representando minha cidade, e se conseguisse ajudar elas a participarem, poderia incentivar alguém a tomar conta e eu pudesse jogar pela minha cidade mais pra frente. Eu já estava inscrita para jogar para uma outra cidade e não podia jogar por Aparecida e consegui convencer o Departamento de Esporte e inscrever as meninas para os jogos. Conversei com um rapaz e ele aceitou ir como treinador, só que de ultima hora ele não pode ir, pois não foi liberado do serviço. Aí tinha um grande problema: ou eu ia como treinadora e não jogava ou eu ia jogar e as meninas iam ficar sem uma pessoa pra comandar. Foi onde tive que tomar a decisão mais complicada e resolvi ir como treinadora delas. Foi muito legal a experiência e resolvi continuar.

Repórter - 

Ao assumir tamanha responsabilidade com o Clube Mathiqueira e com o Brasil, você tinha noção da sua importância também no meio social?

Nilmara -

Quando resolvi assumir o comando do Manthiqueira foi principalmente para ajudar o time e por já conhecer o trabalho do clube. Já sabia da filosofia de trabalho que era diferenciada e tinha um pouco a ver comigo e não tinha noção da importância que seria para o meio do futebol. Com o passar do tempo fui tendo a noção da importância que tinha no meio do futebol e para as mulheres.



Repórter -

Poucas mulheres trabalham com o futebol e ainda há muito preconceito em relação a isso. Comandar um time masculino é um desafio?

Nilmara -

Com certeza é um desafio enorme, por não ser uma coisa muito comum no meio do futebol, onde muitos dizem que é um mundo masculino. O preconceito ainda existe mas tenho confiança que vai acabar se mais mulheres resolverem se aventurar nesse meio.



Repórter -

Além de treinadora profissional, você também treina, de forma voluntária, os times das categorias de base de Aparecida. Qual é o perfil desses jovens e o que te motiva a realizar esse trabalho?

Nilmara -

Sim, trabalho como professora em trabalho social na cidade de Aparecida com crianças de bairros mais carentes. São jovens carentes com pouco ensino e de classe baixa. O que mais me motiva é ver que esses jovens, mesmo com todos os problemas sociais, conseguem arrumar motivos para treinar e com muita vontade e determinação.



Repórter - 

Como você avalia os primeiros técnicos no início da sua carreira? Agora que você está no lugar deles, qual a mensagem que você deixa aos jovens que se dedicam ao esporte?

Nilmara -

Já tive vários tipos de técnicos. Todos serviram de lição pra mim. O que eu achava que seria bom, guardava, e o que achava que não era produtivo, jogava fora, mas deixava na lembrança para saber que não poderia cometer esses equívocos mais na frente.



Repórter -

Você se espelhou nos seus treinadores?

Nilmara -

Não digo que espelhei, porque cada pessoa tem sua identidade e seu modo de lidar com os profissionais, mas algumas coisas tirei como lição para melhorar meu conhecimento, isso sem dúvida.



Repórter -

Como é a Nilmara longe dos gramados?

Nilmara -

Sou uma pessoa tranquila, que gosta de conversar com amigos, dar risadas, não sou muito de sair, ir em baladas. Prefiro coisas mais tranquilas, como: cinema, barzinho com as amigas. Gosto muito de estar com a família e de viajar, e claro, jogar bola (risos). Quando não estou trabalhando e não estou jogando, estou assistindo jogos na TV, gosto de assistir todos os tipos de esporte.

(Quando a Nilmara nos deu a entrevista, ela estava afastada dos treinos por motivos de saúde)



Repórter -

O seu pai sempre a apoiou a seguir esse caminho. Já a sua mãe, no início, ficava preocupada em você se formar em outra profissão. Qual é a importância da família para você em toda a sua trajetória e construção de valores?

Nilmara -

Muito importante. Tudo que sou e tenho é minha família que me ajudou a construir. Pessoas honestas e do bem, que sempre me mostraram o caminho certo a seguir. Mesmo eu optando pelo futebol, eles aceitaram e me apoiaram. No começo, minha mãe não aceitava muito, mais em nenhum momento virou as costas pra mim.



Repórter - 

Corintiana e admiradora do jogo de Neymar, qual a sua opinião sobre o atleta na Copa das Confederações e com a sua ida ao Barcelona?

Nilmara -

O Neymar é um craque e o craque tem facilidade de se adaptar em qualquer lugar. Ele vai se dar muito bem no Barcelona e para o Brasil vai ser muito bom. Ele precisa conhecer experiências diferentes e estilo de jogo diferente para evoluir mais ainda taticamente porque tecnicamente é sem comentários.

Na Copa das Confederações ele vai jogar bem porque esta motivado e feliz, um craque motivado e feliz joga até com os olhos fechados (risos).


                                                                                                            Ana Maria Reis

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