quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Resenha crítica do filme: Uma onda no ar


Filme: "Uma onda no ar"
Produção: Brasil, 2002
Diretor: Helvécio Ratton


O filme "Uma onda no ar", dirigido por Helvécio Ratton, conta a trajetória de uma rádio comunitária criada em uma favela de Belo Horizonte. Em 92 minutos, a história nos leva a rever alguns conceitos que permeiam a sociedade brasileira e nos faz perceber que mesmo não sendo um país totalitarista, no Brasil ainda não há liberdade de expressão.

Baseada em fatos reais, a ideia de criar a Rádio Favela surgiu de um grupo de quatro amigos que morava no morro. Um deles, o Zequiel, estudava eletrônica e disse que seria capaz de montar os aparelhos, mas precisava dos materiais, que custariam caro; O Jorge, mais sonhador e empolgado, seria o locutor; Brau era artista de rua e logo criou um rap para tocar na rádio; Enquanto Roque estava animado, mas era revoltado com o Sistema e acabou se envolvendo no mundo do crime, em busca de dinheiro fácil e no desenrolar do filme, foi assassinado enquanto "trabalhava" no ponto de drogas.

Eles tinham o sonho de serem ouvidos por toda comunidade e também dar voz à ela, uma vez que as outras rádios não faziam isso. Isso nos faz pensar na importância de uma rádio comunitária, porque a nossa realidade são as rádios comerciais, que mesmo sendo regionais, não conseguem atender à todos os bairros de uma cidade.

Mesmo com toda a dificuldade para montar o transmissor e os outros aparelhos para a rádio, os amigos uniram-se e com a ajuda dos moradores da comunidade, conseguiram fazer a primeira transmissão, que contou com intensa divulgação na comunidade.

Com a aparelhagem simples, montada na casa de um dos amigos, a Rádio Favela foi ao ar propositalmente às 19:00h, horário da "Voz do Brasil". Eles não tinham nenhuma autorização do Ministério da Comunicações para fazerem a transmissão, mas mesmo sabendo dos riscos, não desistiram e continuaram com o projeto.

A linguagem era simples e o conteúdo, fantástico. Eles trabalhavam com utilidade pública e levavam os ouvintes a pensarem em questões sociais, que ninguém havia parado para refletir. Criticavam a elite e autoridades, como: políticos e policiais e expressavam suas opiniões sobre os mais variados assuntos. Davam espaço aos músicos para tocarem suas canções e divulgavam a cultura da comunidade. Lembrando que, tudo isso era feito ilegalmente e apenas com o apoio da comunidade local.

Com o tempo, a rádio e os jovens ganharam destaque, dentro e fora da favela. Com isso, as autoridades locais começaram a se preocupar e perseguir os idealizadores do programa, alegando interferir em outros meios de comunicação e que a população era induzida a ir contra o sistema . Jorge foi preso várias vezes. Quando a polícia ameaçava invadir o local de transmissão, a aparelhagem precisava ser levada de uma casa para outra, para que não fosse destruída.

A Rádio Favela sobreviveu à muitas situações em que poderia ser decretado o seu fim, como a falta de verba para a manutenção, carência de local apropriado e ações de vandalismo, por
parte de policiais. E só permaneceu porque Jorge, Zequiel e toda a comunidade se dedicaram e deram continuidade à rádio, que era para um bem comum.

É claro que o governo não irá autorizar facilmente a transmissão de uma rádio que critica suas ações e que dá liberdade para o povo explanar suas ideias para milhares de pessoas. Até porque é muito difícil encontrar uma emissora que não esteja envolvida em política e que não seja tendenciosa, onde sua única preocupação é o bem estar da sua comunidade. Se existir, é provável que sua transmissão seja rapidamente interrompida, e se não houver persistência, o veículo logo "quebra", porque os responsáveis também são cidadãos e precisam de dinheiro para sobreviver.

Quando o governo percebeu que a sociedade estava apoiando o trabalho dos rapazes do morro e a mídia já estava dando espaço para tal ideia, resolveram conceder autorização para a transmissão do programa e cancelar a perseguição. Ironicamente, em um ano de eleições.

O filme é um perfeito exemplo de uma rádio comunitária, onde a maior preocupação não é o retorno financeiro, e sim o prazer de fazer cidadania e ajudar sua própria comunidade. Além disso, eu acho que discutir as atitudes do governo é uma obrigação de todo cidadão. Dar oportunidade para que as pessoas se expressem é uma função dos meios de comunicação, mas que a maioria não faz corretamente. É discutindo sobre sua comunidade, sua cidade e país que as pessoas vão entender melhor o meio em que vivem.

                                                                                                    Ana Maria Reis

2 comentários:

  1. PREZADA ANINHA QUERIA MAIS INFORMAÇÕES, TIPO FAVELA ...LOCALIZA-SE SÃO PAULO OU RIO....COMO FAZER CONTATO SERIA IMPORTANTE PRA CONCLUIR TRABALHO 4º PERÍODO DE JORNALISMO - INTA-SOBRAL-CE...AINDA ESTOU NA ERA DO FACE TE ENCONTRO LÁ COMO POSSO FALAR COM VOCÊ DEVE TÁ FORMADA JÁ...E AÍ TÁ NA ÁREA ABRAÇÃO !!!

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  2. Olá!! Trata-se de uma favela em Belo Horizonte - MG.
    Me procure no face, Ana Maria Reis. Escreva assim "Ana Maria Reis Potim", que fica mais fácil pra encontrar. https://www.facebook.com/anna.reis.3572

    O senhor assistiu ao filme?
    Obrigada pelo contato, abraço.

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